segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A herança emocional dos nossos antepassados


Não é conteúdo meu, mas, vale a pena ler.
herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro, porque assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.
Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações.
“A verdade sem amor dói. A verdade com amor cura. ”
-Anônimo-
Esta situação foi muito bem retratada no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, que mostra como o mesmo medo é repetido através de diferentes gerações até que se torna realidade e termina com toda uma linhagem. O que herdamos das gerações anteriores são os pesadelos, os traumas e as experiências mal resolvidas.

A herança de nossos antepassados que atravessa gerações

Esse processo de transmissão entre as gerações é algo inconsciente. Normalmente são situações ocultas ou confusas que causam vergonha ou medo. Os descendentes de alguém que sofreu um trauma não tratado suportam o peso dessa falta de resolução. Eles sentem ou pressentem que existe “algo estranho” que gravita ao seu redor como um peso, mas que não conseguem definir o que é.
Por exemplo, uma avó que foi abusada sexualmente transmite os efeitos do seu trauma, mas não o seu conteúdo. Talvez até mesmo seus filhos, netos e bisnetos sintam uma certa intolerância em relação à sexualidade, ou uma desconfiança visceral das pessoas do sexo oposto, ou uma sensação de desesperança que não conseguem explicar.
Essa herança emocional também pode se manifestar como uma doença. O psicanalista francês Françoise Dolto, disse, “o que é calado na primeira geração, a segunda carrega no corpo”.
Assim como existe um “inconsciente coletivo“, também existe um “inconsciente familiar”. Nesse inconsciente estão guardadas todas as experiências silenciadas, que estão escondidas porque são um tabu: suicídios, abortos, doenças mentais, homicídios, perdas, abusos, etc. O trauma tende a se repetir na próxima geração, até encontrar uma maneira de tornar-se consciente e ser resolvido.
Esses desconfortos físicos ou emocionais que parecem não ter explicação podem ser “uma chamada” para que tomemos consciência desses segredos silenciados ou daquelas verdades escondidas, que provavelmente não estão na nossa própria vida, mas na vida de algum dos nossos antepassados.

O caminho para a compreensão da herança emocional

É natural que diante de experiências traumáticas as pessoas reajam tentando esquecer. Talvez a lembrança seja muito dolorosa e elas acreditam que não serão capazes de suportá-la e transcendê-la. Ou talvez a situação comprometa a sua dignidade, como no caso de abuso sexual, em que apesar de ser uma vítima, a pessoa se sente constrangida e envergonhada. Ou simplesmente querem evitar o julgamento dos outros. Por isso, o fato é enterrado e a melhor solução é não falar sobre assunto.
Este tipo de esquecimento é muito superficial. Na verdade o tema não está esquecido, a lembrança é reprimida. Tudo que reprimimos se manifesta de uma outra forma. É mais seguro quando volta através da repetição.
Isto significa que uma família que tenha vivenciado o suicídio de um dos seus membros provavelmente vai experimentá-lo novamente com outra pessoa de uma nova geração. Se a situação não foi abordada e resolvida, ficará flutuando como um fantasma que voltará a se manifestar mais cedo ou mais tarde. O mesmo se aplica a todos os tipos de trauma.
Cada um de nós tem muito a aprender com os seus antepassados. A herança que recebemos é muito mais ampla do que supomos. Às vezes os nossos antepassados nos fazem sofrer e não sabemos o porquê.
Talvez tenhamos nascido em uma família que passou por muitas vicissitudes, e não saibamos qual é o nosso papel nessa história, na qual somos apenas um capítulo. É provável que esse papel nos tenha sido atribuído sem o nosso conhecimento: devemos perpetuar, repetir, salvar, negar ou encobrir as feridas destes eventos transformados em segredos.
Todas as informações que pudermos coletar sobre os nossos antepassados serão o melhor legado que podemos ter. Saber de onde viemos, quem são essas pessoas que não conhecemos, mas que estão na raiz de quem somos, é um caminho fascinante que só nos trará benefícios. Isto nos ajudará a dar um passo importante para chegar a uma compreensão mais profunda de qual é o nosso verdadeiro papel no mundo.


 Extraido do site https://amenteemaravilhosa.com.br/heranca-emocional-antepassados

domingo, 30 de outubro de 2016

10 coisas que aprendi sobre Luto

domingo, 14 de agosto de 2016

Quando me amei de verdade

Quando me amei – Carlos Drummond de Andrade

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome… auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é… autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… respeito.
Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… pessoas, tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me deixasse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… amor -próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes. Hoje descobri a… humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar muito com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é…. saber viver!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.”
Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Segurança X Felicidade


A maioria das pessoas buscam segurança e felicidade como a combinação perfeita.
Segurança significa que uma coisa foi feita repetidas vezes a ponto de ser feita de forma automática. Exemplo:
Uma Professora entra pela primeira vez na sala de aula, um bombeiro em seu primeiro incêndio, a primeira palestra etc... São momentos que geram ansiedades, tremedeiras e medos. Após a repetição da experiência pode-se dizer que esses profissionais dominaram a situação, ou seja, agora fazem o que precisam com total "Segurança".
Felicidade ao contrario é ou são momentos em que algo acontece e nos deixa em estado de graça, simplificando a felicidade é um momento transitório, que requer sempre atualização.
Portela afirma que “Felicidade não é estado continuo, não pode e nem deve sê-lo".
Enquanto a segurança é limitante, muros altos, portas e janelas com grades, a felicidade requer liberdade, casas sem muros, janelas abertas.
George Bernard Shaw, dizia que “Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.”
Dito por outro angulo, se estiver em busca de segurança, faça sempre do mesmo jeito, fique na rotina, mantenha as coisas dentro do quadradinho até mesmo o tédio.
Agora se busca felicidade, vá de encontro a ela, seja uma pessoa diferente a cada momento, arrisque, refaça planos, caminhos e seja sempre melhor do que você foi ontem.

Mario Souza
Psicólogo – CRP: 06/ 128032

Cel. 94350-4959

domingo, 10 de julho de 2016

A mulher, sua essência e sua multiplicidade de papeis.



Ser filha, esposa, mãe, dona de casa, 
trabalhar fora, cuidar de tudo e de todos, 
gera em muitas mulheres um sentimento de “ausência de si mesma”.

Ao nascer à mulher assume seu primeiro papel de filha, cresce e se torna moça, vem o papel de namorada. Nesse processo sua constituição se forma de maneira a se perceber como mulher, o desenvolvimento de seu corpo, seus hormônios, roupas maquiagem e todos os acessórios que compõem a essência feminina.
Com o aparecimento do casamento a mulher recebe o papel de esposa e na maioria das vezes o papel de mãe, esse vem ligado a outros papeis como: dona de casa, cuidadora dos filhos e do esposo e da casa, além do papel profissional enfim, de uma multiplicidade de papeis. A mulher passa a desempenhar tantos papeis que a sua essência mulher perde espaço e tempo.
            Para o homem sua missão é mais simples (por uma questão patriarcal), o homem é esposo e provedor nem sempre os dois, o que na cultura machista lhe assegura o “direito” de sentar no sofá, controlar os canais de TV e aguardar a refeição. Se o filho chora ele pede para este ir até a sua mãe, resumindo, ser homem em uma sociedade patriarcal é bem mais simples.
A mulher quando tem profissão, precisa antes de sair de casa, arrumar os filhos, leva-los à escolinha, preprarar o almoço do marido, achar as chaves e só depois que todos foram atendidos em suas necessidades, ela se arruma e sai para a sua luta. Cuidar de casa, do marido, dos filhos e do emprego, pagar contas além de se preocupar com a segurança e a saúde de todos, lhe esgota, não sobra tempo para olhar para si.
Falo de procurar por si mesma e encontrar-se como mulher, pelo seu nome de batismo e suas necessidades como pessoa, achar espaço para se gostar, voltar-se para o seu interior e amar o que encontrar e o que se tornou. Entende?
Vejo muito na clinica é mulheres que não estão satisfeitas consigo mesmas, com o cônjuge e com a vida que levam. Mulheres que querem se sentir amadas como mulher, não mãe, não cuidadora do lar, não pelos papeis que desempenham na vida.  Vejo muitas mulheres sentindo falta de si mesma e que os papeis desempenhados não suprem a falta, a ausência em sua intimidade feminina, ao contrario, por desenvolver todos os outros papeis acabam por se excluírem, elas desabafam que estão pagando um preço muito caro. O casamento que tornou-se uma rotina, as lutas para dar aos filhos um pouco de conforto, os problemas no trabalho e quando de fato olham – se no espelho não se reconhece mais, não veem a menina, moça, mulher de outrora.
O descontentamento aparece no casamento e seus conflitos, mas lá no seu intimo, o que procuram de fato é tempo para serem elas mesmas, irem ao cinema, ao parque ou sentar com um grupo de amigos e bater papo descompromissado, sem ter que olhar para o relógio, ou atender marido ou filhos no celular, tempo de se amarem por serem mulheres, sentir o prazer de fato pelas realizações e mesmo assim encontrar-se, amar-se e assim poder dizer com prazer, SOU MULHER.

Mario Souza
Psicólogo
vivo: 94350-4959

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Paradigma

Quanto do seu comportamento cotidiano é consciente?
Com que frequência você julga as pessoas ao seu redor?
O que é “liberdade” pra você?

Não é fácil ir além do “piloto automático” que nos direciona a uma visão de mundo egocêntrica. Não é fácil ir além desse referencial único e absoluto chamado “Eu”.

Medo, desdém, frustração e obsessão alimentam o culto ao Eu e criam demanda para as ilusões que nos vendem como liberdade.

Quer saber dos outros tipos de liberdade? Há um em especial que desperta a atenção de poucos, tamanha a influência de uma cultura que nos enfia a necessidade de sucesso, vitória e ostentação goela abaixo. Uma liberdade que requer atenção, consciência, disciplina, esforço e, acima de tudo, capacidade de amar e se sacrificar pelo próximo — em pequenos gestos, da forma mais discreta e humilde possível.

Já ouviu falar em paradigma? Neste texto sobre quebra de paradigmas, vou usá-lo com o mesmo sentido de visão de mundo: as “lentes” que escolhemos para enxergar e moldar a realidade. Em resumo, trata-se de uma abstração, ou melhor, um exercício de liberdade tão poderoso quanto sutil.
Se você já passou por alguma quebra de paradigmas sabe do impacto que isso tem no que chamamos de “certeza” — não a do 2+2=4, mas aquela que se desfaz quando um discurso, um parágrafo ou um punhado de palavras transformam seu mundo inteiro num piscar de olhos. Dito isso, posso garantir que minha intenção não é mudar sua visão de mundo, mas lembrar do quão difícil é enxergar as entrelinhas da vida, seja você intelectual ou analfabeto funcional.
Tudo começou quando me dei conta da fragilidade do que antes considerava inquestionável e ousei ir além do meu modo automático de pensar. Desde então, passei a apreciar o caráter mutável da minha realidade individual. Já dizia Descartes: “Penso, logo existo”. E a única existência que conheço sempre confirmou minha crença de que sou a pessoa mais importante do mundo, o centro do Universo.

O Eu paradigmático
Ora, isso não deveria ser nenhuma surpresa, certo? Toda e qualquer experiência, desde a minha primeira lembrança, sempre teve uma única referência: Eu — sempre remete a algo que vi, participei, aconteceu comigo ou com os outros ao meu redor. Nem os pensamentos e sentimentos de outras pessoas fogem à regra, pois têm que chegar até mim, o receptor absoluto, seja qual for o meio de comunicação utilizado. Do contrário, não são reais. Afinal, só tenho contato imediato com meus próprios pensamentos e sentimentos. Todos nós temos essa sensação, é inerente ao que chamamos de consciência, algo tão evidente que nem nos damos ao trabalho de falar sobre o assunto.
É necessária uma reflexão sobre nossas experiências de vida cotidianas, partindo da ideia de que nossas subjetividades têm a mesma origem e convergem em alguns pontos — quem já se identificou profundamente com as ideias ou sentimentos de alguém sabe do que estou falando — é que temos algo em comum.
Pensemos sobre a importância de quebrar paradigmas, algo que demanda tamanho esforço. Não é fácil enxergar as coisas sob outra perspectiva, aceitar novas ideias e ir além da inércia que nos consome diariamente em forma de rotina. Não é fácil ir além do “piloto automático” que nos direciona a uma visão de mundo egocêntrica. Não é fácil ir além desse referencial único e absoluto chamado “Eu”. Não é nada fácil.
Veja o João, por exemplo, um cidadão comum que se viu pressionado a adotar um determinado estilo de vida assim que recebeu seu diploma universitário — como muitos de nós. Ele acorda cedo todos os dias e trabalha mais de 10 horas para manter seu emprego. No fim do expediente, já estressado e cansado, ele só pensa em chegar em casa, comer, relaxar e dormir um pouco mais pra compensar o sono acumulado ao longo da semana. Ele sabe que precisa levantar bem disposto para enfrentar as mesmas coisas no dia seguinte.
Apesar de ser um cara legal, João se vê constantemente irritado pelo excesso de pessoas, pelo trânsito, pela lerdeza dos idosos, pela falta de respeito de tanta gente egoísta, pela hiperatividade das crianças, pelo tamanho das filas e pela falsidade dos relacionamentos no trabalho. Enfim, ele odeia tudo e todos que insistem em atrapalhar seus desejos, planos e expectativas.
Para se livrar da inércia, cada uma dessas pequenas situações que compõem uma rotina infernal requer certa dose de esforço. Se João não escolher conscientemente uma outra maneira de interpretar esses eventos, pode apostar, voltará a se sentir irritado e infeliz. Sei disso porque comigo funciona da mesma forma. Quando o centro do Universo sou Eu, é natural que só pense em mim e tenha a nítida impressão de que o mundo gira em torno das minhas necessidades, meus horários, minhas opiniões, meus valores e meu cansaço. É natural que encare outras pessoas como obstáculos, meros figurantes no espetáculo da minha própria existência.
Por outro lado, se assumo uma versão “socialmente correta” do paradigma anterior, talvez deixe de focar nas pessoas e comece a julgar suas ideologias e crenças. Afinal, são todos preguiçosos, corruptos, individualistas, alienados e burros. Tenho certeza que continuarão passivos como gado, indiferentes aos problemas que só Eu pareço enxergar. Me vejo pensando: “Meu Deus, como podem ser tão cegos?”
É preciso reconhecer que optar pelo caminho mais fácil, aceitar tudo sem questionar e agir sem pensar são apenas reflexos da inércia disfarçados de “escolhas”. Quanto mais eu sigo a “receita” para o sucesso, maior será minha expectativa de que o mundo cumpra suas promessas e me recompense. Assim, consumido pelos meus próprios problemas, deixo de enxergar todo o resto. E quando estou a ponto de desistir dos outros, porque é mais fácil começar do zero já que nada vai mudar, percebo que é possível pensar diferente. Então, faço um esforço para me lembrar da humanidade e dos desafios de cada pessoa que julguei e condenei. Mas não pense que estou aqui para dar lição de moral ou mostrar como viver a vida. Ninguém espera que você mude totalmente de uma hora pra outra, porque é difícil, eu sei. Requer muita vontade, principalmente naqueles dias em que tudo dá errado. E, se você é como eu, tem dias que simplesmente não vai nem querer tentar.
Felizmente, na maioria das vezes que você estiver consciente o suficiente para escolher, será capaz de enxergar a senhora “lerda” como uma avó carinhosa, lutando para conviver com a dor de um corpo frágil que já não se movimenta mais como antes; enxergar o “babaca” que furou a fila como um pai preocupado, apressado para não perder o trabalho de merda porque sua família depende disso; enxergar o “pirralho” insuportável como uma criança carente, curiosa e condicionada a fazer birra para receber atenção e cuidado dos pais.
Claro, é bem provável que nada disso seja verdade, mas tudo depende da forma como você escolhe enxergar. A tendência é aceitar a primeira versão que vem à cabeça, pois aprendemos a julgar desde cedo, mas corre-se o risco de acabar como o João: solitário, infeliz e cercado de “idiotas”.
Portanto, que tal dar uma pausa e tentar conceber outras alternativas? A verdade é que você é capaz de escolher o que quer enxergar ou, segundo um dos princípios da Comunicação Não-Violenta, observar sem julgar. Outra verdade é que você pode dar o significado que quiser às coisas, e aqui poderia citar vários autores existencialistas, mas fico com Joseph Campbell:
A vida não tem sentido por si só, nós é que atribuímos significado. O sentida da vida é o que você quiser que seja.
Isso me faz lembrar de algo com inúmeros significados: “Deus”. Não por acaso, essa palavrinha mágica demonstra perfeitamente o nosso poder de escolha (livre arbítrio), pois sempre se adapta ao significado que quisermos: Jesus, Alá, Oxalá, Buda, Universo, Mãe Natureza, Destino, etc. Ironicamente, nem os ateus escapam de “Deus”, visto que a única diferença é o “formato” escolhido: dinheiro, beleza, conhecimento, poder — a lista é enorme. E o que antes chamei de “piloto automático” ou “inércia” agora pode ser traduzido como “ter fé” (cultivar verdades inquestionáveis) e “viver para adorar Deus” (ser consumido por um único aspecto da vida).
Muitos nem percebem o quanto essa combinação entre piloto automático e adoração pode ser perigosa. Se você adora o dinheiro, nunca terá o bastante. Se você adora a beleza, nunca estará satisfeito com a própria aparência, mesmo fazendo de tudo para se manter jovem. Se você adora parecer inteligente, continuará se sentindo ignorante e inseguro, alguém que não sabe nada sem a ajuda da internet. Se você adora o poder, nunca deixará de ter medo, e nenhum poder será o bastante para garantir a sua autoridade. E não adianta negar, sabemos que tudo isso é verdade.
O segredo é não deixar que esse tipo de comportamento, automático e obsessivo, se esconda nas entrelinhas da vida e se torne inconsciente. Esse é o tipo de coisa que nos engole pouco a pouco e permite que um determinado paradigma crie raízes. Assim, o mundo atual se aproveita dessa inércia como combustível para sobreviver. Medo, desdém, frustração e obsessão alimentam o culto ao Eu e criam demanda para as ilusões que nos vendem como liberdade.
Quer saber dos outros tipos de liberdade? Há um em especial que desperta a atenção de poucos, tamanha influência de uma cultura que nos enfia sucesso, vitória e ostentação goela abaixo. Uma liberdade que requer atenção, consciência, disciplina, esforço e, acima de tudo, capacidade de amar e se sacrificar pelo próximo — em pequenos gestos, da forma mais discreta e humilde possível. Isso é o que considero libertador, pois todo o resto te condena a uma prisão chamada “Eu”, construída pela inconsciência de possibilidades, pensamentos automáticos e comportamentos guiados pela inércia.

Veja bem, nada do que falei é glorioso, prazeroso ou tentador, nem deve ser interpretado como sermão ou julgamento. Não se trata de moral, religião, ideologia ou busca pela verdade, mas de um constante esforço em se manter consciente, reconhecer o que é essencial e assumir as próprias escolhas. Em suma, a quebra de paradigmas pode ser um fenômeno inicialmente doloroso, mas igualmente libertador.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Jung sobre a análise:

"Análise não é apenas "diagnóstico", mas antes é compreensão e suporte moral no esforço e experiência honestos que chamamos "vida". Nunca podemos saber melhor, ou de antemão, o que afeta o indivíduo. Só podemos ajudar a pessoa a se compreender a si mesma, a tomar coragem para a tentativa e o desafio. A parte invisível do trabalho vai muito além do que se pode publicar numa revista científica. Devemos ceder espaço ao fator irracional, ainda que tenhamos ódio dele."

Jung em Carta à J. Allen Gilbert, (1867 - 1948), médico e psicoterapeuta americano.


terça-feira, 29 de março de 2016

SE ALIMENTARMOS AS CRIANÇAS COM AMOR, OS MEDOS MORRERÃO DE FOME. 

Para que nossas crianças cresçam de maneira equilibrada, basta alimentá-las com amor para que seus medos e seus problemas emocionais morram de fome…
Ofereça um lar no qual se sintam protegidas e abrigadas: Um lar é criado a partir das emoções das pessoas que o compõem. As centenas de brinquedos em seus quartos não servem para nada se não compartilharmos com eles nosso amor através de gestos de carinho e de cuidado.
Fale com elas de maneira carinhosa: Quando as crianças fazem alguma coisa errada ou se comportam de maneira agressiva estamos acostumados a empregar estratégias de rejeição. Alguns exemplos são dizer “Não te amo mais” ou “Você é muito malvado”. Entretanto, desta maneira elas não irão entender que o que está errado é o que fizeram, e não o seu valor próprio. Por essa razão, as mensagens que devemos transmitir a elas são do tipo “Não está certo o que você fez”. Assim, não iremos diminuir a sua autoestima nem colocar em dúvida nossos sentimentos por elas.
Dê a elas o seu tempo, seu interesse e o desejo de aproveitar os desafios que nos propõem: O que nossas crianças enxergam em nós, para elas, não está presente em mais ninguém. Por isso, é indispensável dedicar nosso tempo e nosso interesse genuíno a elas, e oferecer uma visão do seu mundo de maneira amorosa e incondicional.
Extraído: bibliotecadaantroposofia@antroposofy.com.br

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